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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

 

 

Vamos lá, devagar, devagarinho, a ver se nos entendemos todos, amigos, adversários e inimigos:

 

1.) Considero fundamental a aplicação do princípio do utilizador-pagador a todas as AEs do país, de Norte a Sul e nunca tive, em tempo algum, mesmo num governo que deu continuidade à política financiamento discricionário de algumas AEs com o dinheiro dos impostos de todos, posição diferente.

 

2.) Continuo a achar fundamental a cobrança de portagens nas AEs que o governo entende agora ”portajar”, ou seja, A29, A28, A41, A42, parte da A25 e da A17.

 

3.) Penso que para além destas, também terão de ser “portajadas” todas as demais SCUTS, ou seja, e designadamente, a A25 entre Albergaria-a-Velha e Vilar Formoso, a A23, todos os troços da A8, a A22 a A24 e todos os demais troços de AE ou equivalente, a A44, etc..

 

4.) A decisão inquestionada e comprovadamente irrevogável de as “portajar” tem de ser, no mínimo, simultânea com a introdução de SCUTS no Litoral Norte;

 

5.) O chip de matrícula foi uma fantasia falhada do Governo. Infelizmente, ainda há membros do governo que insistem em chamar chip de matrícula a um mero identificador, em tudo igual ao identificador da Via Verde e não mais do que isso. A opinião pública está tão intoxicada pelos spinners do governo e pela brigada orwelliana da direita (façam o favor de desmontar--não basta desligar-- os vossos telélés quando andam de carro que esses, sim, e de há muito, deixam registo permanente da vossa localização instantânea) que:

 

5.1.)  não vale a pena explicar que não há intromissão adicional na privacidade;

5.2.) se deva aceitar que haja a possibilidade de meios de pagamento alternativos (pré-pagos, por exemplo).

5.3.) O sistema já permite excepções. No entanto, devemos perceber que nos enganaremos a nós próprios se aceitarmos a praxis guterrista de deixar canibalizar a regra pelas excepções.

 

Post Post-scriptum:

 

a)      Uma das minhas residências, onde passo, em média, 30% do tempo em cada semana, fica a menos de 5 Km de um dos novos lances a “portajar”, que uso variadíssimas vezes, todos os dias em que estou “lá por cima”;

 

b)      Percebo que este processo seja o culminar de anos de desespero a Norte, com o seu empobrecimento progressivo e a perda de quase todas as suas referências empresariais e mesmo muita da antiga dinâmica cultural. Mas não é a cavalgar a justificada onda de insatisfação que os caudillos regionais se tornam em líderes nacionais respeitados;

 

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