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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
por Francisco Almeida Leite

"O que venho aqui dizer-vos é que estou disponível para esse combate. Com todos vós e com todos os portugueses que estão connosco, com todos os que a seu tempo virão a estar, para mudar e para vencer, pela República e por Portugal". Foi com esta frase que Manuel Alegre anunciou esta noite a sua disponibilidade para ser o candidato da esquerda a Belém. De toda a esquerda. O que passa por ter o apoio claro e inequívoco do PS, do Bloco de Esquerda e do PCP, mais cedo ou mais tarde.

Mas é de registar que, desta vez, Manuel Alegre não diz preto no branco "eu sou candidato", nem recorre à máxima do "agarrem-me ou eu avanço". Alegre opta antes por um discurso cauteloso, muito cauteloso. Ao ponto de dizer que compreende que o seu partido tem outras prioridades imediatas: "Comprendo que para o PS seja o momento do Orçamento. Mas, como diria o meu amigo Jorge Sampaio, há mais vida para além do Orçamento. Queira-se ou não, a próxima eleição presidencial vai condicionar, ou melhor, já está a condicionar a vida política do país."

Manuel Alegre tem razão neste ponto. As presidenciais vão condicionar este ano de 2010. A análise que faz do actual estado do bloco de centro-direita também é lúcida. Daí que possa avançar num cenário de quase terra queimada à direita.

Sem uma liderança forte, o PSD não irá servir de grande ajuda à recandidatura de Aníbal Cavaco Silva. O CDS não é entusiasta do actual Presidente. Recorde-se ,aliás, que em 2006 o CDS era liderado por José Ribeiro e Castro e o PSD por Luís Marques Mendes. Hoje em dia PSD e CDS não são um suporte suficientemente forte para sustentar e alavancar a reeleição do Presidente. O CDS de Paulo Portas é anti-Cavaco, pelo que ver o actual líder democrata-cristão ao lado do Presidente em plena campanha é um cenário quase dantesco. Mais insólito ainda seria ver Santana Lopes e Paulo Portas a percorrer o País de lés-a-lés à busca de votos para Cavaco.

É no PSD e nos descontentes do PS com Alegre que terá que residir a força para Cavaco Silva ter um eleitorado à sua altura e que possa ser vencedor contra a união presidencial das esquerdas. Que eu saiba, não está escrito nas estrelas que um Presidente nunca perde uma reeleição. Já aconteceu lá fora, lembrem-se de Bush pai, Jimmy Carter ou de Giscard d'Estaing. E aprendam com os erros.

7 comentários:
De colonizado a 15 de Janeiro de 2010 às 22:52
"O que venho aqui dizer-vos é que estou disponível para esse combate"

O poeta um ex-desertor pelos vistos só a agora tem vontade de combater...


De tric a 15 de Janeiro de 2010 às 23:53
"O CDS de Paulo Portas é anti-Cavaco "

historias...Os Passistas é que são anti-Cavaco ! pelo menos é o que tenho observado aqui neste blogue!


De Manolo Heredia a 16 de Janeiro de 2010 às 10:42
Foi Soares que pôs Cavaco na presidência. Parece que ainda há pessoas que não compreenderam isso.


De Nuno Pires a 16 de Janeiro de 2010 às 16:29
O texto está um pouco assente na especulação, mas também não poderia ser de outra forma para retratar as patetices de um dito poeta.
É só disso que o homem vive. Nunca ouvi falar do seu trabalho... porque será??
Pelo menos é bom para lançar mais nevoeiro nos olhos dos tugazitos. É tradição.
" o poeta é aquele que mais mente.."


De Naçao Valente a 16 de Janeiro de 2010 às 19:11
Manuel Alegre anunciou o óbvio: que vai ser candidato à Presidência da República. Não se sabe, neste momento, que apoios vai ter a nível partidário. Tudo leva a crer que a sua candidatura será suportada pelo PS e pelo Bloco.
Cavaco que se cuide , pois a sua reeleição não vai ser um passeio. E a tentação de "governar" a partir de Belém, não o está a ajudar.
Seja como for a presidência merece um pouco mais de poesia.
Mateus Gonçalves


De António Lemos Soares. a 17 de Janeiro de 2010 às 03:17

Nestas alturas, tenho um imenso prazer em poder afirmar o meu monarquismo convicto.


De Francisco a 17 de Janeiro de 2010 às 13:16
É nestas alturas que os republicanos se calam perante os monárquicos. Mas depois lembramo-nos do Duarte...


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