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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

RTP, RTP Porto e RTPN

 O Grupo RTP deverá ser reestruturado de maneira a obter-se a uma forte contenção
de custos operacionais já em 2012 criando, assim, condições tanto para a redução
significativa do esforço financeiro dos contribuintes quanto para o processo de
privatização. Este incluirá a privatização de um dos canais públicos a ser concretizada
oportunamente e em modelo a definir face às condições de mercado. O outro canal,
assim como o acervo de memória, a RTP Internacional e a RTP África serão
essencialmente orientados para assegurar o serviço público.
(M. Falcão, Lugares Comuns)

 

 

 

 

Um amigo meu, jornalista da RTP, poucos dias depois das eleições legislativas, convidou-me para almoçar. Durante o repasto, defendeu que a privatização da RTP era um erro e que, segundo ele, facilmente se consegue diminuir 100 milhões ao passivo anual da RTP sem mexer na qualidade do produto e sem sangue. Até posso acreditar, ele conhece bem melhor a RTP do que eu. Porém, a minha questão não é essa.

 

Ou seja, continuo a ter muitas dúvidas que valha a pena ter uma RTP1, uma Antena 1 e uma Antena 3 no sector público de comunicação. Sobretudo quando olho para os actuais produtos (programações) e respectivos custos/benefícios. Depois, outro problema: a RTP Porto. Não consigo perceber duas coisas muito simples: segundo um estudo, se a memória não me falha, do tempo de Almerindo Marques, produzir na RTP Porto era bem mais barato que produzir através de Lisboa, sem perdas de qualidade. Se olharmos com a devida atenção para algumas das principais caras da informação da RTP e dos canais privados verificamos que boa parte deles e delas tiveram na RTP Porto a sua grande escola. Contudo, nos últimos tempos, a RTP Porto foi abandonada. Que programas continuam a ser produzidos pela RTP Porto? Ora verifiquem, se faz favor. Mesmo sem se assistir a uma redução dos seus quadros e custos.

 

Depois, vejam o que aconteceu, recentemente, à RTPN. Uma vez mais, a RTP Porto foi, perdoem a expressão, decapitada e tudo passou a ser gerido por e via RTP Lisboa. Se assim é, pergunto: para que serve a RTP Porto?

 

Francamente, não consigo compreender e custa-me aceitar não só este desbaratar de dinheiros públicos como esta estratégia de desvalorização da RTP Porto. Existe, pelo menos assim parece, uma vontade forte de matar a RTP Porto, algo que não se percebe. Obviamente, o Porto Canal e os seus investidores, sobretudo aqueles que a partir do próximo dia 1 de Julho tomarão conta deste canal, agradecem a oferta. Se querem acabar com a RTP Porto, pelo menos tenham a coragem de o fazer a sério e assumindo as consequências. Agora, decapitar a empresa mas continuar a somar custos e custos sem qualquer benefício para todos aqueles que o pagam, é um abuso, um crime.

 

Pelo que se percebe do programa de Governo, a privatização da RTP não é para já. Não o sendo, façam o favor de colocar ordem na casa e se é para (e bem) conter fortemente os custos operacionais, falem com quem sabe, ouçam todas as partes e tentem, sff, verificar o que deve ser feito para reduzir os custos. Segundo o tal estudo já feito, um caminho óbvio é aumentar a produção via RTP Porto (por ser mais barato). Defender a RTP Porto e a RTPN no Porto não é bairrismo nem "regionalismos serôdios", é justificado por fazer o mesmo diminuindo os custos. É gestão, boas práticas de gestão.

 

Falo por mim. O meu bairrismo faz-me defender o Porto Canal (que é privado) e o JN (privado). E todos os projectos privados nascidos na minha região. Outra coisa, bem diferente, são projectos públicos. Esses posso até defender mas por motivos diferentes - o uso de dinheiros públicos obriga a outro tipo de cuidados e obrigações. Por ser dinheiro de todos e não "de alguns"...

 


Gonçalo M. Tavares

 

"Uma Viagem à Índia" venceu o Grande Prémio de Novela e Romance da APE. Esta brilhante epopeia, já tinha ganho o Prémio de Melhor Narrativa Ficcional da SPA e o Prémio Especial de Imprensa "Melhor Livro 2010 Ler/Booktailors". O autor é Gonçalo M. Tavares, escritor de 40 anos, com livros publicados em todo o mundo e com prémios conquistados em muitos países, como o italiano "Prémio Internazionale Trieste" em 2010 e o francês "Prix du Meileur Livre Étranger", também no ano passado.

Desde que li o "Jerusalém" que percebi que a escrita de Gonçalo M. Tavares era algo de excepcional, acessível a poucos escritores. Infelizmente, desde 2004 até agora, este autor continua, no nosso país, menos conhecido do que merecia. Mais prémios virão certamente, esperemos que mais leitores também.

Nada de novo nesta frente de direita, da contínua governança

 

Aí está, novo governo, já inteirinho. Menos meia dúzia, em quantidade, que no anterior. Quase o mesmo, em qualidade. Excelentes currículos na minoria, óptimos activismos partidocráticos e empresariais na maioria. Naturalmente, vão, muitos, esta noite, alterar o “facebook”, para que não fiquem ligados a "interesses" como o "nespresso" e o respectivo líder...

 

Há um núcleo duro de grande qualidade, como nunca deixou de existir, até com Sócrates, mas torna-se evidente a nossa falha na formação de elites de Estado, principalmente em grandes escolas de quadros dos próprios partidos. Nada de novo nesta frente da direita. Está tão cinzenta como a revogada frente de esquerda. Marques Mendes acertou em todas e Marcelo Rebelo de Sousa lá fez das suas.

 

Convém insistir que, no anterior governo de Sócrates, havia uma dúzia de cidadãos de idêntica dimensão e que até conseguiram não perder a autenticidade. Mas ainda bem que há quem tenha a coragem de arriscar no serviço público. Temo que, depois da mobilização do estado de graça, as promessas sejam vencidas pela habitual força da inércia, como já se tornou patente com o número e na estrutura da novamente velha governança. Só há instituições com prévias ideias de obra e estas precisam de ser previamente trabalhadas com fé e humilde estudo.

 

Esperemos que os chefes deste governo sejam mais como o Paulo Bento. Entrem logo a jogar no risco, sem prévio treino. Para que voltemos a ter equipa de todos nós. Até porque, infelizmente, estamos muito dependentes dos jogos dos outros.

 

É evidente que não é, das rápidas análises das autocontemplações curriculares, que podemos fazer adequada avaliação no imediato. Vai ser mais interessante o escrutínio a que irão estar sujeitos. Especialmente por parte de opositores que sofreram esse tipo de exame e que moverão intensamente o bisturi da informação privilegiada para a adequada vindicta...

 

Mas os pesquisadores de perfis ainda não identificaram coisas tão sublimes como a da eventual pertença dos nomeados a entidades místicas como as igrejas protestantes, as obediências maçónicas, o sionismo, as irmandades católicas, as associações recreativas, os anteriores entusiasmos maoístas ou a posição que muitos tomaram no anterior referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Da mesma forma, seria imperioso elencar os que são indefectíveis de Pinto da Costa, quantos torcem pelo glorioso e os eventuais sócios da Briosa. Os cartões laranjas e portistas não chegam!

 

Há, aliás, maçons, de várias obediências maçónicas, que são deputados e ex-deputados, bem como entre actuais e ex-governantes. Mas há muitos outros, que estão de fora e que se celebrizam por declarações antimaçónicas, com real mercado nas parangonas. Sobretudo se estiverem à esquerda. Daí voltarem à ribalta com um problema de falsa consciência, para uso de suas desventuras no PS e no PSD!

 

Para mim, bastava uma dinâmica fotografia dos grupos de interesse e dos grupos de pressão que dependem da subsidiocracia estatense e da habitual empregomania.  Sobre as outras identificações místicas, julgo que o nosso jornalismo comentarista está especialmente desinformado, até tropeçar no primeiro dos sensacionalismos e entrar em vómito analítico sobre o que é óbvio. Obviamente, numa sociedade pluralista, há de tudo. E ainda bem!

E pensas muito bem, Nuno:

Penso no Ricardo Almeida porque sei que tem feito um excelente trabalho por onde tem passado e representa uma nova geração de militantes que pode ajudar nesta nova fase da vida do PSD. É importante lançar novas personalidades, novas caras não conhecidas do grande público, mas que sejam capazes de contribuir para uma regeneração interna. E penso que o Porto, depois dos excelentes resultados nas últimas eleições legislativas, também aqui poderia dar o exemplo ao resto do país.

 

 

O encerramento das linhas de caminho-de-ferro.

 

Como não podia deixar de ser, parece que uma das medidas de austeridade que terá que ser implementada a curto prazo é o encerramento de 800 km de linhas de caminho-de-ferro. Confesso que não consigo deixar de encarar esta medida como um símbolo da decadência nacional. Uma das grandes realizações do fontismo em pleno séc. XIX foi o desenvolvimento do caminho-de-ferro. Na época do Estado Novo possuíamos uma extensa rede de caminhos-de-ferro que as crianças eram obrigadas a aprender na escola primária. Mas nos anos 80 do séc. XX começaram a encerrar-se sucessivas linhas, o que conduziu a um aumento considerável das dificuldades das populações do interior, a quem o comboio encurtava distâncias. Agora vamos assistir a mais um enorme encerramento das linhas. Lá ficarão os carris sem comboios a testemunhar as realizações de épocas passadas, incompatíveis com a dura realidade do tempo presente.

Gostei muito de (não) vos conhecer

 

Adeus a quem ainda tinha a paciência de me ler, imagino que cada vez menos. Um desafio atravessou-se no meu caminho, é maior do que eu e por isso o decidi percorrer. Agradeço em primeiro lugar a quem me trouxe a esta casa, por virtual que tenha sido; Ao Francisco Almeida Leite, meu amigo e comandante deste barco mas igualmente e em primeiro lugar no coração a um outro amigo, chamado Luis Naves. Alguém que reparte comigo desde há vinte anos tanto o difícil quanto o fácil, transmitido em conversas com tudo lá dentro.

Agradeço também a tod@s @s que  na coluna da esquerda estão referenciad@s e aos que hoje não estão lá mas estiveram no início e por isso formaram parte desta etapa na minha vida. E ainda a todos os que fazem da blogocoisa um mundo onde se dialoga com o devido humano e livre respeito pelas matizes e as diferenças, políticas ou sejam elas quais forem, numa altura em que tudo tende para a binária relação do sim ou do não, do deve e do haver, do mercantilismo e da lógica binária e redutora do "quem não está comigo é contra mim".

Que para todos - os que comigo escreveram e me leram, mesmo os que nunca o fizeram - os tempos que se aproximam sejam o que procuram para si e os seus, na proporção daquilo que deram e dão, eis o que desejo.

Tudo tem um início e um fim. Nada é eterno excepto esse Algo inominável e inclassificável que nos deu a vida. E é justo e perfeito para mim que esta etapa termine aqui e hoje. Assim. Sem mácula e com um obrigado a tod@s, num abraço estendido sem excepção.