Porquê o casamento?
Por duas palavras muito simples: liberdade e igualdade.
Por que razão o referendo não faz sentido?
Façamos um exercício muito simples. Recuemos até 1955 nos EUA e imaginemos um referendo com a seguinte pergunta: "Nos transportes públicos, pode um negro recusar-se a ceder o seu lugar a um branco?". Também não faria sentido, pois não?
Porquê a adopção?
Por uma razão muito simples: alguém acredita que é melhor para uma criança crescer num lar de acolhimento do que numa família composta por dois homens ou por duas mulheres, que lhe dará amor, carinho e atenção?
De Guilherme Santos a 8 de Janeiro de 2010 às 08:52
Não tem mais demagogia barata para distribuir?
Estamos de acordo.Mas só para calar os que confiam no pseudo-conservadorismo "tuga",não acharia mal o referendo, pois tenho a certeza que o resultado seria o mesmo da IVG.
De JS a 8 de Janeiro de 2010 às 20:18
Por acaso, tenho dúvidas. Para além das sondagens, vejo muito mais pessoas comuns a manifestarem-se contra do que no caso da IVG.
Porventura, aqui haverá mesmo uma maior repartição entre a chamada esquerda e direita.
De Nuno Simões a 8 de Janeiro de 2010 às 09:40
Porque não pode uma pessoa casar-se com um irmão, um dos pais ou um avô? Porque não pode casar com 2, 3 ou mais pessoas? Porque não pode casar-se com um animal? Porque não pode casar-se com um bidé?
Porque não podem estes conjuntos adoptar uma criança?
Eu não partilharia a educação dos meus filhos com um bidé. Ou mesmo com um animal muito inteligente.
Mas o amigo esteja à vontade...
De Nuno Simões a 8 de Janeiro de 2010 às 10:38
Não estamos a falar dos seus filhos. Espero que não tenha de os entregar para adopção.
Fica a questão: estão melhor num lar de acolhimento ou numa família composta por uma senhora e os seus 3 maridos? Junte-lhes um bidé se entender que ajuda.
Não estamos aqui a falar dos afectos dos casados que devem ser respeitados em todas as combinações possíveis, desde que todos sejam adultos.
Um bidé com 5 anos já é considerado adulto.
A resposta à sua pergunta tem a chave na palavra "lar".
Ao chamar "lar de acolhimento" está a apelar a um imaginário que é bem diferente de, por exemplo "instituição" ou "orfanato". A realidade desses lugares será o que for (que admito não conhecer suficientemente bem para julgar).
Mas não acha que duas pessoas do mesmo sexo podem providenciar um verdadeiro "lar", que de resto é uma coisa que emana dos mesmos afectos que afirma respeitar?
Porque o casamento é um contrato, e como tal, é necessário capacidade para contratar e consentimento válido dos outorgantes. Consentimento esse que tem que ser livre e esclarecido.
Ora, está visto que um animal ou um bidé não têm capacidade, nem podem consentir esclarecida e livremente.
Agora, quanto ao casamento entre mais do que duas pessoas, desde que cumpridos os requisitos (capacidade e consentimento), nada contra – aliás acho mais honesto do que os relacionamentos extra-conjugais em que uma das partes desconhece ou/e é contra.
De Nuno Simões a 8 de Janeiro de 2010 às 11:25
O bidé era naturalmente uma provocação. Não tenho nada a opor entre relações livres, seja de que natureza for entre pessoas adultas. Acho que o Estado não tem de aprovar, certificar ou condenar seja o que for entre uniões livres.
Já acho que deve ter particular zelo na atribuição da guarda de menores a seu cargo, e se os técnicos dizem que o ideal é a criança ser adoptada por um pai e uma mãe e havendo abundância de pais e mães para adoptar, para quê inventar?
Não acho definitivamente que adoptar seja um direito de quem adopta. Pode ser do meu nariz mas tem um desagradável aroma a pet shop.
De JS a 8 de Janeiro de 2010 às 20:21
Com um animal? Como se não tem personalidade jurídica e não pode dar consentimento?
Quanto ao casamento entre 3 e mais pessoas, não percebo porque não. Entre familiares (irmãos, parentais), penso haver boas razões para ser contra, mas também tem-se explicar porque não.
De Francisco a 8 de Janeiro de 2010 às 12:07
Extremamente demagógico comparar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo e o casamento
entre um homem e uma mulher de raça diferente.
Já no tempo de Alexandre Magno, já no tempo das descoberta existiam casamentos mistos (entre pessoas de raças diferentes).
Nesse tempo nunca houve casamentos de homossexuais.
No ponto três, o post vai ao lado da questão. Há três tipos de adopção: aquele que referes; a adopção por casais (de lésbicas) em que um dos membros do casal é mãe natural da criança, havendo uma adopção pelo casal; e um terceiro caso, aquele que interessa à discussão, em que o casal homossexual terá de ficar em igualdade de circunstâncias com os heterossexuais na adopção de uma criança. Ora, havendo muito mais casais adoptantes do que crianças, vai tudo para a fila e os critérios que vão ditar a adopção serão por exemplo os económicos, onde os homossexuais até podem ter vantagem. Haverá ainda mais casais heterossexuais afastados da adopção. hoje há muitos, amanhã haverá mais. Isto também equivale a fazer experiências sociais politicamente correctas com pessoas que nem sequer votam; as crianças, como se sabe, não são temas de referendos nem têm representantes na Assembleia. O problema, meu caro, é que se criou um mito de que a adopção por casais homossexuais será de crianças institucionalizadas que ninguém quer. Mas essas continuarão institucionalizadas, sem que ninguém as queira. Sabes porquê? Porque não podem ser adoptadas. O problema está nas leis que restringem a adopção.
De bicho mau a 8 de Janeiro de 2010 às 15:06
Porque será que um gajo tão liberal como o autor da posta faz censura ?
De Serafim aos Molhos a 8 de Janeiro de 2010 às 15:11
Ó sr.Gouveia,porque é que está tão contentinho?
Faz tanto sentido como perguntar se a interrupção da gravidez deve ser autorizada. Eu apoiei o referendo da IVG.
O vanguardismo é sempre mau conselheiro. A homofobia é fomentada pela imposição do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
De Manolo Heredia a 8 de Janeiro de 2010 às 16:32
faz sentido os deficientes por acidente de trabalho lutarem por melhor tratamento social exigindo legislação que os considere deficientes das forças armadas?
Com algumas reservas para a 3a questão (concordo com o princípio mas cada caso é um caso, há que analisá-los com cuidado) estou inteiramente de acordo.
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