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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O mapa da nossa vergonha, entre patos-bravos, maoístas e traidores

 

Antes de encerrarem escolas e extinguirem autarquias, espreitem este mapa. Da autoria de um competente membro do governo de Sócrates (João Ferrão). Podiam fornecê-lo a certos troikados.  Ele é a prova da vergonha da minha geração. A que continuou a desertificar Portugal e ainda não sabe o que é um desenvolvimento rurbano.  Abaixo a política do pato bravo e dos satélites partidocráticos suburbanos que nos envolvem em arroz de polvo à malandrinho. Enquanto não nos libertarmos dos gaioleiros da pulhítica, apenas vamos mudando de tentáculos. Sou liberal, mas não sou parvo. Só há ordem para quem ascende.

 

Ai do regime se cair nas parangonas sensacionalistas de um jornal de hoje, entre bufarias sobre derrotados, espionites da futebolítica e promessas incumpríveis vindas dos vencedores. Tudo agrava a esquizofrenia, do vingar é fácil. Temo pelo coice do populismo.Senhores ministros e secretários de Estado, arredem de vós os pretensos manipuladores do "agenda setting"!

 

Senhores ministros e secretários de Estado, reparai como os mais rápidos aduladores de hoje, ainda há dias ou hà meses vos declaravam feios, porcos e maus... Fazei aos outros o que ele não vos fizeram. Não chega não fazer aos outros o que eles vos fizeram. Mas se fizerem a mesma coisa aos que já eram os outros para os outros, acrescentando outros aos outros, nunca mais seremos nós. A maioria calada que vos permitiu aí chegar, depressa será de outra maioria moral, dos homens felizmente revoltados. Lá estarei mais uma vez.

 

O que me dana são as estórias de geração recontadas pela literatura de justificação. Noutro dia, um dos meus filhos, depois de mais um enternecedor ciclo de recreações sessentonas, interrrogava-me: Pai! Conta lá quando foste maoísta?". Bem tentei, mas nunca consegui dizer-lhe que sempre fui da não esquerda, isto é, da direita, porque ele ainda teria de acrescentar, carinhosamente tolerante: "Pronto... já percebi, então eras fascista". É este preto e branco que detesto e que anda nos traseiros mentais dos caçadores de bruxas...

 

Só os burros é que não evoluem. Passam a ser sempre mulas quando se cruzam com cavalgaduras. Sobretudo quando conservam a metodologia do seminarista que a Igreja não aceitou como sacerdote, mesmo quando mudou de livro pretensamente sagrado. Alguns ficaram para sempre nesse espaço do pretenso antidogmatismo realmente neodogmático, aquele que só consegue dialogar com os que frequentaram as mesmas estações de caminho-de-ferro da pretensa evolução do caixilho do processo histórico... o do culto da purga, nomeadamente da mental, quando mantêm na memória a visão da política como uma continuação da guerra por outros meios, mas com a manutenção da distinção entre amigos e inimigo...

 

Eu nunca diria nada dos que, tendo estado comigo, seguiram outros caminhos. Companheiros uma vez, companheiros para toda a vida. Estejam onde estiverem. Guardo o segredo. E sei o que é traição. E a tal Roma do ministerialismo, que muitas vezes  promete, em troca de informação. Que o traidor pensa que é vender segredos. Como se o segredo não fosse um estado de alma, de não profanação. Porque quem tem efectivamente segredo nunca chega à palavra secreta que o desvenda. Anda sempre à procura. E por isso terá sempre segredo por achar nesse caminho da perfeição.

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