Sem prejuízo da análise pormenorizada do debate desta noite que é pelouro do Pedro Correia, devo dizer que fiquei mal impressionado com a prestação de Paulo Portas. Na imagem, na dicção, no soundbite, esteve bem. Mas faltou-lhe aquilo de que ele mais se vangloriou durante e após o debate: consistência, coerência, prudência. E isso viu-se sempre que o líder do CDS entrou no domínio do concreto: desde logo na questão da TSU, em que se percebeu que o CDS não tem alternativa à medida que mais promove o crescimento económico no programa da troika que se comprometeu a aplicar... mas mesmo assim tem reservas. O crescimento está sobrevalorizado nesta campanha, deve ser isso.
Mas onde Paulo Portas verdadeiramente claudicou foi nos coelhos (salvo seja) que tirou da cartola, aproveitando o facto de não ter programa apresentado para poder surpreender com anúncios de medidas. E que medidas! No sistema político, resolve Paulo Portas propor um Parlamento com 115 deputados, sabendo perfeitamente que mesmo que o PSD concordasse com a proposta nunca conseguiriam os dois partidos rever a Constituição nesse sentido. É no mínimo inconsequente. Mas a palma vai para as propostas do líder do CDS para a Função Pública: depois de caricaturar a regra perfeitamente razoável de 1 admissão por 5 saídas em média, propõe um programa de rescisões por mútuo acordo com indemnizações atractivas. Para além de o seu financiamento ser fantasista - outra revisão constitucional seria necessária para permitir usar os dinheiros de privatizações - este programa redundaria num desnatar da Administração Pública, em que os quadros qualificados sairiam com gordas maquias enquanto que os funcionários com baixa empregabilidade se deixariam ficar. No fim, teríamos um Estado mais fraco e mais pobre: o contrário do que o CDS diz defender.
Consistência? Coerência? Prudência? Não sei onde. Mas no Jugular ficaram muito entusiasmados.