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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

A partir das 13h de Segunda, 5 de Setembro, arranca o novo blogue "Forte Apache" onde encontra boa parte da equipa do Albergue Espanhol e novos elementos. Estão todos convidados a passar por lá. Aqui fica o vídeo de lançamento:

 

 

Sábado, 3 de Setembro de 2011
Domingo, 28 de Agosto de 2011
por Francisco Almeida Leite

Ultrapassámos hoje uma fasquia importante: mais de um milhão de visitas no Albergue Espanhol. Não é para todos e não aconteceu por acaso. O AE foi, logo desde o seu lançamento, um blogue decisivo, interveniente, politicamente muito incorrecto, intenso e polémico. Foi também um blogue de gente decente e justa. Isso notou-se em todas as polémicas em que nos envolvemos. Não virámos nunca a cara à luta, mas entrámos nas guerras blogosféricas que valiam a pena ser travadas, sempre com elevação. Outra coisa não seria de esperar de todos os bloggers que aqui escreveram até hoje ou que passaram pelo AE, mesmo que episodicamente.

 

Na impossibilidade de muitos dos fundadores do AE continuarem a escrever aqui com regularidade, tomámos a decisão de fechar as portas. É o que faz mais sentido neste momento. Não vamos desaparecer do mapa, pois muitos transitam directamente para um projecto que ainda vai dar muito que falar, só que outros entendem que este é um tempo que pede outro tipo de intervenção. Foi muito bom tê-los a todos como nossos leitores, mais ou menos regulares. Sabemos que não vieram aqui à espera de ler textos recheados de lugares-comuns ou ensaios de pura idiotice disfarçada de humor fácil. Quem passou por aqui como leitor, tenha gostado ou não, tenha concordado ou não, saiu certamente com a ideia de que aqui dissémos sempre o que pensávamos e não nos escondemos debaixo de capas. Valeu a pena.

por Fernando Moreira de Sá

…se querem ver bom futebol, do bom mesmo, o melhor é dia 4 de Setembro (próximo Domingo) rumarem até à Biblioteca Almeida Garret (Porto, Palácio de Cristal) e assistirem, a partir das 14h, ao arranque do Foot Film Fest no âmbito do Douro Film Harvest 2011.

 

É grátis e serve para carpir mágoas para a falta de “paciência” com certos Domingos, eheheheh.

por Ricardo Vicente

 

Muito bem!

por Luís Naves

"This isn't a country for glory, Owen".
"I'll take my risks. I always have".

 

Também estarei aqui.

por Rodrigo Saraiva
Sábado, 27 de Agosto de 2011
por Luís Menezes Leitão

A notícia de hoje sobre a espionagem a um jornalista do Público confirma o que há muito penso sobre os serviços de informação: que funcionam completamente em roda livre, sem uma fiscalização minimamente eficaz, a qual é absolutamente imprescindível num Estado de Direito. A infeliz resposta do Governo sobre este assunto só vai agravar a insegurança dos cidadãos nesta matéria. Depois de os lesados terem pedido a intervenção do Ministério Público, e de a Comissão Nacional de Protecção de Dados ter aberto um inquérito à divulgação de dados de telemóvel, o Governo limita-se a anunciar um novo inquérito interno dos serviços, ao mesmo tempo que se recusa a enviar ao Parlamento os resultados do anterior, alegando segredo de Estado. Parece assim que só o Parlamento é que vai ficar à margem da investigação que os outros órgãos do Estado vão fazer aos serviços. Mas então há uma questão que se impõe: não é o Parlamento o responsável pela nomeação dos órgãos de fiscalização desses serviços? Estão os responsáveis parlamentares satisfeitos com o trabalho desses órgãos de fiscalização? Ou será que essa matéria também é segredo de Estado?

O autor de Blasfémias Rui a. acha triste a minha mentalidade, parcialmente responsável pela pobreza do País.

Na blogosfera portuguesa corre uma tese que atribui aos empresários nacionais qualidades acima do vulgar. São geralmente os mesmos autores que lamentam a forma como a economia portuguesa se tornou dependente do Estado. O blogue Blasfémias está na vanguarda de uma corrente de opinião liberal que atribui grande parte dos problemas portugueses ao excesso de intervenção estatal. No entanto, de vez em quando, escreve-se no mesmo blogue que os empresários portugueses são uma maravilha.

 

Se Rui a. quer ser coerente, terá de admitir que os empresários nacionais têm beneficiado de elevados padrões de subsídio-dependência. Por exemplo, dependência dos subsídios europeus. Estará o autor disposto a reduzir de forma drástica as ajudas de Estado de que as empresas têm beneficiado?

Os empresários portugueses não beneficaram apenas de subsídios pagos com dinheiro do contribuinte. Tiveram acesso a poder político, o que se traduziu em contratos de Estado, negócios com empresas do Estado, etc. Quando numa economia, o Estado controla metade, é óbvio que apenas as muito pequenas empresas podem viver sem ele. Tudo isto gera lucros e enriquece os proprietários.

Por outro lado, nos sacrifícios, os empresários já parecem ser dispensáveis. O raciocínio é o seguinte: não sei o que é um rico, não disponho aqui de uma definição exacta, logo, dispenso-o de uma taxa adicional sobre os seus rendimentos. Depois, são enumerados vários argumentos técnicos muito sensatos.

Como afirmei no post anterior, isto é uma injustiça política. A teoria é bonita, mas pouco prática. Não é possível continuar a pedir mais sacrifícios aos portugueses, sem os pedir a todos os portugueses, nomeadamente aos que podem pagar. E também é evidente que os ricos têm de pagar mais do que os pobres, pois muitos destes já estão no limiar da fome.

Querem a TSU mais baixa? Então participem.

Querem subsídios? Então, participem no esforço. Por exemplo, não compreendo como pode haver subsídios europeus e nacionais para grupos que abusam dos off-shore. Mas essa é outra conversa.

 

O buraco nas contas públicas terá de ser pago, e não é com receitas extraordinárias. O ajustamento do próximo ano será bem mais difícil do que estava previsto no memorando da troika, pois os 1,8 mil milhões de euros de défice adicional passam para o ano seguinte e só serão cobertos este ano por receitas extraordinárias que penalizam fortemente a classe média. Chama-se a isto empurrar com a barriga, cortesia do anterior governo socialista (socialistas que agora sacodem olimpicamente a água do capote).

O que me espanta é o facto de parte da direita também não ter percebido a dimensão do problema e continuar a defender teses como a de Rui a. Taxar os ricos só vai dar 100 milhões? Dá 200? Pois, faça-se na mesma, e por razões de equidade ou simbólicas ou o que queiram. Desta vez, não serão apenas os do costume a pagar, aqueles que não podem fintar o fisco e que têm mostrado grande bom senso em aceitar os sacrifícios que nos são impostos pela ajuda externa.

Bom senso que os ricos parecem achar dispensável, quando lhes toca a vez.

Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Não se trata de querer acabar com eles, como se escreve aqui. Há certamente argumentos técnicos impecáveis para zurzir na ideia de taxar os ricos. Mas esta é uma questão política. Se eu faço sacrifícios, se a classe média está a fazer sacrifícios, se os mais pobres estão a fazer sacrifícios, não posso compreender a razão dos milionários ficarem fora do aperto de cinto. Ah, claro, faltava esta: não se sabe o que é um rico. Depois de passar a vontade de rir, julgo ser adequado dizer que um rico é uma pessoa com dinheiro e que tem mil maneiras legais de fugir ao pagamento de impostos, não dando o mesmo contributo que um pobre para os sacrifícios que temos de fazer.

Já estou a ouvir o argumento seguinte: pois é, se agora foge, no futuro ainda vai fugir mais. Mas isto não é uma questão técnica, é política. Cabe-nos condenar o raciocínio da boleia social. Não podemos respeitar empresários cujo único talento é o de saberem esmifrar o trabalho e depois evadirem o pagamento da sua parte justa. Não admira, pois, que Portugal seja um país desigual e, portanto, mais pobre do que podia ser.

 

Nos últimos anos, o cidadão comum perdeu entre 10% e 20% do seu rendimento real, tendo em conta inflação, estagnação de salários, desemprego de uma parte, os aumentos de impostos. Mas as festas dos ricos continuam esplendorosas e ostentatórias. Se eu empobreci 10% desde o início desta crise, ou talvez mais, não percebo a razão para os milionários não poderem fazer um ajustamento na mesma proporção (não estou a falar das perdas virtuais em bolsa). E sou favorável a uma taxa Tobin que ajude a financiar ou aumente o orçamento da União Europeia.

Arranje-se maneira de aplicar um imposto que abranja património, acções, carros e vivendas. Salários milionários ou lucros pessoais em bolsa. Os milionários alemães e suecos pagam impostos em taxas elevadas e estes países são bastante igualitários, com elevada qualidade de vida para todos.

Portugal é um dos países europeus com maiores diferenças de rendimento e os argumentos da blogosfera do centro-direita ou da liberal mais dogmática não são compreensíveis. Que eles vão fugir com o dinheiro para as ilhas Caimão (mas levam o palacete e o Rolls?), que ficam sem incentivo para criar novas maneiras de fazer dinheiro, que isto é tudo populismo do tempo da dona carlota joaquina. Tadinhos dos milionários, tão sacrificados! Aumento de impostos, que escândalo!

Os exemplos citados podem ser comoventes, mas não convencem nenhum dos suspeitos do costume, aqueles que pagam a factura desta crise, os que pagaram as crises anteriores, os que pagarão as do futuro, sempre os mesmos.

Aos autores que ainda não compreenderam a natureza desta discussão, faço o seguinte apelo: saiam das torres de marfim, por favor.

Como seria?

por Rodrigo Saraiva

Nos últimos dias tem sido demasiado notória a estratégia de certa blogosfera dita de esquerda (alguém lhes chamou, e bem, viúvas de sócrates) em tentar condicionar pessoas que aceitaram o desafio de apoiar politica e tecnicamente membros do governo. E, também, em tentar condicionar os governantes.

A cada nomeação que é conhecida logo passam a tentar enlamear o nome das pessoas.

Nos últimos dias, quais cães agarrados a um osso, decidiram atacar a honorabilidade do António Figueira. Já antes o tinham feito a outras pessoas.

Ofendem sem pejo e fazem de caixa de repercussão do que é lançado por um blog onde alguns se escondem na capa do anonimato.

Os últimos dias não têm sido de baixo nível, têm sido de demonstrações do recalcamento e maus fígados que norteiam algumas cabecinhas. Têm sido um nojo.

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011
por Ricardo Vicente

Se o governo se limita ao que acordou com a tróica e com o PS será completamente impossível não incorrer num "evento de crédito", i.e., incumprimento, default, etc. no curto prazo.

 

Por outro lado, só o que a tróica exige é pouco para prevenir um embaraço idêntico no futuro. O stock de dívida deve ser suficientemente baixo para que, em caso de crise, seja possível aumentar o endividamento sem que com isso se coloque em causa a sustentabilidade dinâmica das contas públicas. Esta é a lição que António Guterres, George W. Bush e outros não aceitaram.

 

Finalmente, ir para além do acordo da tróica significa alterar as estruturas económicas do país para que este possa finalmente crescer.

 

É assim tão difícil de compreender?

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011
por Fernando Moreira de Sá

A Fórmula 1 nunca mais foi a mesma depois do seu trágico desaparecimento. E quem escreve estas linhas era um fã de Prost. Agora, um dos documentários mais badalados dos últimos anos terá a sua primeira apresentação em Portugal no Douro, mais precisamente, na praia do Pinhão no âmbito do excelente Douro Film Harvest.

 

Recordando a trajectória de um grande nome do desporto brasileiro e da Fórmula 1 mundial, o DFH exibe em estreia nacional o documentário “Senna”, na secção Moon Harvest. O filme, realizado numa parceria britânica-brasileira, é já indicado como forte candidato a Óscar de Melhor Documentário do próximo ano. “Senna” é dirigido por Asif Kapadia e vai ser projectado na praia do Pinhão, às 22h30 de 9 Setembro, com entrada gratuita.

 

Eu vou já começar a marcar o meu lugar na fila da frente e levo comigo um belo Kopke para aquecer que as noites no Douro, mesmo em Setembro, são fescas. Se são :)

 

Quem estiver interessado em acompanhar a edição deste ano do Douro Filme Harvest é estar atento ao face e twitter do evento. Eles prometem colocar por lá tudo e mais alguma coisa.

 

 

por Afonso Azevedo Neves

keep calm and expecto patronum

por Luís Menezes Leitão

 

Enquanto a França anuncia um imposto extraordinário de 3% a ser pago unicamente pelos contribuintes que ganham rendimentos acima de 500000 euros, e a aplicar só em 2012, Portugal já demonstrou que é possível ir muito mais longe. O imposto extraordinário cá é de 3,5%, a ele só escapam os indigentes e os rendimentos de capitais, é aplicado já aos rendimentos de 2011 e será pago em grande parte ainda no fim deste ano. Aqui temos um exemplo típico do entendimento que em Portugal se tem da equidade fiscal. Como é que a França não se lembrou disto para assegurar um orçamento ainda mais equilibrado já em 2011?

Enquanto mais de metade dos meus últimos posts têm sido sobre a necessidade de realizar quanto antes uma reestruturação parcial não só da dívida grega mas também da irlandesa e da portuguesa, em vez de se esperar pelas eleições na França e na Alemanha - já Nouriel Roubini lança para cima da mesa o cenário da reestruturação espanhola e italiana.

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011
por Fernando Moreira de Sá

Eu tinha prometido a mim mesmo (como gosto desta expressão tão popular) que me abstinha de escrever sobre alguns espasmos/orgasmos de alguns bloggers sobre determinadas escolhas deste governo. Era uma questão de saúde pública.

 

Confesso o pecado, terei de quebrar essa promessa. Nenhum dos visados pelas virgens ofendidas precisa que eu venha a terreiro fazer a sua defesa. São todos maiores, vacinados e com provas dadas nas suas profissões. Mas, que raio, quem ataca assim amigos e companheiros meus, não pode contar com o meu silêncio. Quem não se sente…

 

Quando vi os ataques de que foi alvo o ANL fiquei sem palavras. Então, o António Nogueira Leite com semelhante currículo e experiência não pode ser escolhido para Vice da CGD? Como? Será que estas virgens ofendidas querem comparar o ANL com o famigerado Vara? Onde estavam elas quando Armando Vara e outros que tais, como o famoso Rui Pedro Soares da PT, foram nomeados? Querem comparar? Estão a brincar, não?

 

Depois, foram os ataques às escolhas de Miguel Relvas para seus assessores. Escolheu Miguel Relvas homens do aparelho partidário? Nomeou conhecidos “aparelhistas”? Não. O crime de Miguel Relvas foi ter escolhido assessores e adjuntos não filiados no PSD e no CDS. Alguém criticou a experiência profissional dos assessores e adjuntos? Alguém os considerou, profissionalmente, más escolhas? Também não. O crime é apenas um: serem bloggers. Estão a brincar, não?

 

A última saga desta novela esquizofrénica de certa bloga é a escolha de António Figueira para o gabinete de Miguel Relvas. Reparem bem: o António Figueira trabalha há mais de 25 anos em comunicação institucional. Qual o crime? Ser blogger e, segundo os críticos, um radical de esquerda! Ora, imaginem se o António fosse militante do PSD. Estão a brincar, não?

 

Em todas estas escolhas existem três pontos comuns: todos são excelentes profissionais nas áreas em apreço; são todos (ou quase todos – ANL é militante do PSD) não militantes do PSD; são todos bloggers. Qual o verdadeiro problema que se lhes aponta pelos críticos? Serem bloggers. Estão a brincar, não?

 

O problema é que não estão a brincar, é mesmo assim. Muito portuguesinho, muito tuga (como detesto esta palavra): a eterna invejazinha, muito nossa, muito mesquinha. Quando o anterior governo e alguns anteriores governos (PS, PSD, PSD-CDS, PS-CDS) se fartaram de nomear “boys” como se não existisse amanhã, estas virgens ofendidas mergulharam num silêncio ensurdecedor.

 

Acordaram agora, quando o critério de escolha foi aquele que sempre defenderam em público mas não praticaram em privado: o mérito independentemente do cartão de militante. E que tal, por uma vez, uma só vez, se deixassem de merdas? Querem criticar? Então esperem pelos resultados das escolhas feitas. Depois, só depois, existe moral para criticar. Até lá, cheira a invejazinha bacoca. Foleira.

por António Figueira

O homem do punho de ferro sou eu: o Câmara Corporativa, dirigido pelo blogger mais esfíngico do país – o busybody Miguel Abrantes, desempregado mas sempre activo – acusa-me de, em simultâneo “dirigir com mão de ferro o radical 5dias” e ter-me tornado um boy do PSD. A poucas semanas de cumprir 50 Primaveras, acho a coisa simpática, mas temo que não seja muito rigorosa: trabalho em comunicação institucional há mais de 25 anos, no público e no privado, em Portugal e no estrangeiro, entre muitas outras coisas já fui assessor de imprensa de um membro do governo PS, agora convidaram-me para trabalhar no gabinete de um membro do governo que é do PSD e eu aceitei: ninguém me exigiu que eu me filiasse em partido nenhum, eu também não prometi nada que não fosse profissionalismo. Ah, e pagam-me por trabalhar, é um facto, mas espero que o Abrantes não se zangue por eu não trabalhar à borla.

 

PS: À Nandita: o Tó pede-me para te dizer que há um estilo xunga da blogosfera (e não só) a que ele faz questão de não descer. So sorry.

por Fernando Moreira de Sá

O Conselho de Opinião da RTP nunca mencionou ou abordou o assunto Mário Crespo nos seus encontros, garante Manuel Coelho da Silva, presidente do organismo.

 


 


 

Tanto barulho e afinal...

A RTP ainda não foi privatizada e já estalou uma verdadeira guerra "vale tudo" entre os diferentes grupos de comunicação social. Primeiro foram as capas com o SIS, agora com Crespo.

por Rodrigo Saraiva

Na semana passada, na sua habitual coluna no Expresso, Daniel Oliveira resolveu disparar contra a Administração da Jerónimo Martins, mais exactamente no que diz respeito ao Pingo Doce. Fê-lo com a habitual inimputabilidade opinativa que grassa em muitos colunistas. Posso discordar do que escreveu, perfeitamente normal, e entender que está no direito à liberdade de expressão. Uma liberdade tão aclamada e glorificada por muitos, como se esta liberdade não tivesse consequências.

 

Na edição desta semana do mesmo jornal, na secção de cartas, é publicado um direito de resposta de Pedro Soares dos Santos, Administrador da empresa visada. Mas se na semana anterior o buzz tinha sido mínimo, desta feita o artigo fez mossa à esquerda, até em alguns desavindos bloquistas, e todos bradaram nas redes sociais e blogosfera o seu incómodo com a prosa do empresário. Quer pelas considerações que teceu sobre o dianteiro colunista, como pelo facto de terminar a carta a dizer algo tão óbvio como que em Democracia existe um lugar natural para aferir dos afagos escritos, o tribunal.

 

Eu gostei mais da carta de Pedro Soares dos Santos. Mas acho normal que outros tenham preferido o artigo de Daniel Oliveira.

 

O que não acho normal é que haja uma turba que entenda que a tal Liberdade de Expressão sirva para tudo e sem consequências.

 

Afinal, o artigo e a carta, não é isto uma sociedade e um estado democrático, laico ou não, a funcionar?

"Neste momento nenhum outro governo faria melhor e não digo isto por ser do PSD"

 

Marcelo Rebelo de Sousa, no seu habitual comentário na TVI

 

Fazendo a avaliação do desempenho do Executivo de Passos Coelho nos dois últimos meses, desde que tomou posse, Marcelo frisou, como pontos positivos, o facto de o Governo ter feito "tudo o que era preciso fazer para não dar argumentos à troika para Portugal não receber o dinheiro". "Cumpriu praticamente ponto por ponto o que era necessário até agora", sustentou, indicando também o "capital de honestidade e determinação do primeiro-ministro".

 

 

Domingo, 21 de Agosto de 2011

 

Hermann Van Rompuy, até agora Presidente do Conselho Europeu, mas ao que parece já nas suas novas funções de Chefe do "Governo Económico Europeu" para que foi designado na cimeira Merkel-Sarkozy, pronuncia-se contra os Eurobonds. Tal não constitui propriamente novidade, uma vez que, como já aqui escrevi, fiquei absolutamente convencido de que a Alemanha nunca os aceitará. A novidade, no entanto, é que, sendo os Eurobonds defendidos por tantos países europeus, não deixa de ser curioso que alguém no centro de um órgão comunitário, onde deveria ter independência das posições dos Estados-Membros, venha afinal ter um alinhamento tão grande com a posição da Alemanha. Tal demonstra, para quem ainda tivesse dúvidas, que o "Governo Económico Europeu" será de facto dirigido por Angela Merkel e Van Rompuy se limitará a executar as suas determinações. E de facto nestas declarações de ontem o que se ouviu foi his master's voice.

por Fernando Moreira de Sá

O futebol nunca foi o forte do 31 da Armada.

 

Um abraço.

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Sábado, 20 de Agosto de 2011
por Fernando Moreira de Sá

Uma pessoa vai uns dias para fora e quando já está a regressar fica a saber que tudo continua a seguir o seu caminho. Somos Porto!

 

 

 

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por Ricardo Vicente

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011
por Ricardo Vicente

 

A propósito, Tallinn é capital europeia da cultura em 2011.

por Luís Menezes Leitão

 

Já tinha escrito aqui que este Governo está a começar a parecer-se de forma preocupante com o anterior. Depois do que escrevi surgiram ainda sinais mais preocupantes, dos quais o mais extraordinário seria a recuperação do inútil e dispendioso projecto do TGV. Felizmente que existe pelo menos um deputado do PSD a dizer o que se impõe sobre este assunto. Ou o Governo realiza uma ruptura total com o estado de coisas que foi deixado, a qual passa por apresentar quanto antes medidas extraordinárias de redução da despesa, e não cobrança de receitas extraordinárias, ou arrisca-se seriamente a perder o comboio do país, mesmo que queira avançar com o TGV. A pior coisa que nos poderia acontecer seria criar a impressão de que afinal, em vez de uma mudança de política, temos antes uma evolução na continuidade, ao estilo de Marcello Caetano. Ora, todos sabem qual foi o destino final dessa sua iniciativa de evolução na continuidade.

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011
por Rodrigo Saraiva

no DN

 

no CM

 

 

Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011
por José Adelino Maltez

Houve ontem repasto dos alberguistas. Aqui vai o testemunho, hermético e pouco original, sobre a cruz que serve de símbolo a este blogue. Porque não foi em Compostela, isto é na soma de compos, posse, mais estella, estrela, mas em Campo de Ourique, ao lado da Maria da Fonte. Mas em todo o mundo continua a passar o célebre caminho de Santiago. Há sempre viajantes. E com o bordão de peregrino como apoio e a concha como símbolo, deves empreender esta longa e perigosa caminhada, por terra e por mar. Primeiro como peregrino, depois como piloto. O futuro continua. Para quem o ousar.

«O FAL nunca chamaria craque a um treinador. Não há dúvida que o FAL faz falta ao DN.»

 

lpm no facebook

 

por Ricardo Vicente

1. Os eurobonds têm sido encarados por muitos com demasiado optimismo mas são melhores do que nada. Se não há eurobonds nem defaults parciais, a dívida total da zona euro, com tanto novo endividamento, tantos planos de ajuda e tantos bailouts, cresce para níveis incomportáveis colocando em risco não só o euro mas a própria União Europeia.

2. Concordo com o Luís Menezes Leitão: "o governo económico europeu" presidido por aquele não se sabe quem será mais um veículo do abuso de poder alemão (e também francês).

3. A taxa sobre as transacções financeiras será uma maneira de tornar a Europa cada vez menos relevante na cena financeira internacional. A recente notícia da proibição de short selling de activos financeiros, ainda que só durante quinze dias, já foi uma monstruosidade anti-liberal. No mundo globalizado (desculpem lá o cliché), as regiões mundiais que mais proibem são as que mais perdem. E os surtos de proteccionismo são quase sempre a ante-câmara da guerra.

4. "Os dois líderes (...) consideraram também "suficiente" a dotação orçamental do fundo europeu de resgate" (no Expresso).

 

Então vejamos: não há eurobonds (pelo menos para já), não há defaults parciais (pelo menos até depois das eleições na Alemanha) e não há aumento do fundo europeu de resgate (Durão Barroso já alertou várias vezes para a insuficiência do mesmo). O que é que há então de novo?

 

Tendo em conta que as medidas de austeridade na Itália, Espanha e França não são credíveis devido à proximidade das eleições (antecipáveis, antecipadas e previstas) - não há rigorosamente nada de novo no sentido de trazer acalmia aos mercados.

 

Esta cimeira foi, portanto, mais uma perda de tempo com o único fim de empolar a imagem internacional de Sarkozy e de Merkel para consumo populista interno (os franceses adoram que os seus políticos tenham ou aparentem ter relevância internacional, os alemães adoram acreditar que são mais progressistas que os outros europeus todos e acham que ter uma chancelerina mulher é o supra-sumo da superioridade progressista).

 

A consequência óbvia é esta: os mercados continuarão cada vez mais a castigar a Espanha, a Itália e a França. Com "líderes" desta estirpe, pobre União Europeia...

por Luís Menezes Leitão

Estando presentemente na Alemanha por motivos profissionais, posso ver a perspectiva com que aqui é encarado o resultado da cimeira Merkel-Sarkozy. Aqui acentua-se essencialmente a recusa dos Eurobonds, sendo manifesto que os cidadaos alemaes veriam com muito maus olhos qualquer tentativa de os criar. Parece-me por isso que Merkel nunca alinhará nessa proposta, uma vez que tal lhe custaria inevitavelmente o cargo.

 

Os resultados da cimeira demonstram, por outro lado, mais uma vez o apagamento total da Comissao Europeia e de Durao Barroso. O pretenso "governo económico europeu" constitui apenas uma submissao dos outros Estados-Membros ao Diktat da Alemanha, tanto assim que a sua presidencia é oferecida sem qualquer escrutínio democrático a uma figura totalmente apagada como Hermann Van Rompuy, que se limitará a executar as ordens da Alemanha. Quanto à referida taxa Tobin nao me parece que vá resolver problema algum. É evidente por isso que, a continuar-se assim, o descalabro do euro será uma realidade, mais dia menos dia.

 

Mas de uma coisa fiquei convencido. Levar a Alemanha a aceitar os Eurobonds é um sonho de uma noite de Verao. E o Verao este ano na Alemanha está a ser muito frio, pouco propício a sonhos.

Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

Os eurobonds têm um elemento de mutualização das dívidas públicas da zona euro, o que significa que um conjunto de países passa a responder solidariamente pelo cumprimento das obrigações de qualquer um dos membros desse conjunto (até um certo limite que, porém, não é nada pequeno).

Esta mutualização implica três problemas, dois dos quais já descritos anteriormente (aqui e aqui): muitos dos países da zona euro podem muito simplesmente não querer fazer parte deste acordo, pelo que a mutualização das dívidas públicas poderá ficar limitada a que apenas países como a França e a Alemanha se responsabilizam pela dívida de alguns países, enquanto outros começam seriamente a equacionar a saída do euro como forma de se eximirem às obrigações que nunca foram suas.

Uma mutualização limitada à França e à Alemanha não será muito diferente da actual situação em que aqueles dois países têm liderado (muito mal, diga-se) o processo de resposta à crise das dívidas soberanas. Por outro lado, forçar essa mutualização tem como efeito o aumento de popularidade das facções e partidos políticos anti-União Europeia. Basta juntar esse fenómeno aos programas de austeridade e à violência nas ruas e teremos a União a desintegrar-se irremediavelmente.

O outro problema é de credibilidade. À medida que mais e mais endividamento, mais e mais bailouts se sucedem, a crise do euro vai-se transmitindo dos pequenos países periféricos para economias que, pela sua dimensão, não podem ser resgatadas totalmente. Se até a relativamente pequena economia da Grécia não se livrou de um default parcial, é mais do que certo que, em caso de crise de pagamentos, é impossível não ocorrer um default parcial da dívida de Espanha, Itália e França. Em tal caso, será o rating dos eurobonds que se degradará. Ora toda esta dinâmica, que é previsível desde já, tem como consequência que os eurobonds não beneficiem de rating triple A nem sequer à nascença.

O terceiro problema da mutualização da dívida é o défice de democracia. O princípio de no taxation without representation é violado. Porque é que o contribuinte finlandês, que nunca votou nem aprovou o "welfare state grego" há-de responsabilizar-se por esse sistema?

 

Certo é que quase todo o processo da construção europeia tem sido realizado com uma adesão insuficiente aos princípios da democracia. Mas isso não era especialmente problemático enquanto a aceitação popular da integração europeia era generalizada e o efeito mais visível da União correspondia a dinheiro a entrar.

 

Já no caso da "solidarização" pelas dívidas dos outros, a opinião geral é desfavorável e o resultado é dinheiro a sair, sendo que o objectivo desse dinheiro não é nenhum projecto benemérito mas sim cobrir os excessos, irresponsabilidades e megalomanias de países que não foram capazes de se governar sem a ajuda in extremis dos outros.

É preciso notar que ainda que os países em risco de incumprimento aceitem que toda a sua política de finanças públicas seja escrutinada pelo "eurobond group" (o que é em si mesmo uma afronta à soberania e democracia dos países em causa) - o mesmo défice de democracia mantém-se, pois (se percebi bem) a mutualização das responsabilidades recai não só sobre a dívida contraída no futuro mas também sobre a dívida anterior. Mas de qualquer forma, ainda que esteja em causa apenas a dívida futura, esta é emitida para refinanciar dívidas passadas pelo que, economicamente, a mutualização da dívida implica sempre uma responsabilização por decisões passadas, o que viola o referido princípio de no taxation without representation.

O défice de democracia é mais uma força no sentido do desmoronamento do edifício europeu. E é mais uma razão para parar a bola de neve dos endividamentos e bailouts sucessivos enquanto é tempo. Isto é, enquanto a crise não chega à Itália e à França e enquanto a própria União Europeia ainda se encontra a salvo.

Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

 

Se Nicolas Sarkozy e Angela Merkel tomassem hoje e agora a decisão de provocar o default parcial das dívidas grega e portuguesa, os eleitorados francês e alemão sentir-se-iam de tal modo lesados e, até, roubados pelos países do sul europeu que o resultado inexorável e com probabilidade absoluta seria que Sarkozy e Merkel não seriam reeleitos.

 

Sendo assim, vai ser preciso esperar pelas eleições na França (Abril ou Maio de 2012) e na Alemanha (Setembro ou Outubro de 2013) para que se trave de vez a espiral dos sucessivos endividamentos, ajudas e bailouts aos países do sul da Europa.

 

O que determinará o timing dos defaults parciais grego e português não terá nada a ver com razões de natureza económica mas exclusivamente com o eleitoralismo vil de Sarkozy e Merkel.

 

Enquanto se espera pela reeleição daqueles dois e se vai deixando aumentar a massa total de dívida para níveis ainda mais incomportáveis, é a própria sobrevivência financeira e monetária da Zona Euro que é colocada em risco. Travar o ciclo de endividamentos e bailouts tem custos eleitorais directos para Sarkozy e Merkel mas é a melhor forma de salvaguardar o futuro do euro e da União Europeia. O mais recente bailout grego de cento e nove mil milhões de euros foi uma insanidade difícil de qualificar depois da loucura que já tinha representado o primeiro bailout de cento e dez milhões de euros.

 

De igual forma, Portugal optou erradamente por um pacote de "ajuda" a taxas insustentáveis em vez de ter procedido a uma reestruturação negociada da dívida. Menos mal que na passada cimeira europeia os juros foram aliviados para valores inferiores a quatro por cento (tal como eu reclamava na minha "chantagem dos três por cento" aqui, aqui e aqui).

 

Mas por que razão não foram logo propostos a Portugal juros minimamente razoáveis? E quantos milhões e oportunidades terá o nosso país perdido enquanto esperava pelos juros mais baixos saídos da cimeira europeia?

 

A razão foi que o castigo dos países do sul por via de taxas de juro insanas servia os interesses populistas de Sarkozy e Merkel. Quanto às perdas que Portugal terá eventualmente sofrido, esse é o assunto que menos importa aos actuais líderes da França e da Alemanha.

Domingo, 14 de Agosto de 2011
por Ricardo Vicente
por João Gomes de Almeida

  

Calle Santaló, Barcelona. Poema de Joan Brossa, tabaco Fortuna (3,6€!!) e Martin Miller's com limão e tónica.

Sábado, 13 de Agosto de 2011
por Ricardo Vicente

por Ricardo Vicente

Embora perceba os autores que têm pressa de ver o país sair desta crise, a blogosfera portuguesa parece ter esquecido que o governo não concluiu dez semanas e que o essencial das reformas tem um calendário previsto entre Setembro de 2011 e Maio de 2012.

 

Julgo que ontem houve essencialmente quatro notícias: um "buraco" nas contas de 1,1% do PIB (por volta de 1,8 mil milhões de euros); o anúncio da antecipação de uma medida do memorando (aumento do IVA no gás e electricidade) que estava prevista para o fim do ano e que entra em vigor em Outubro; a aprovação feita pela troika das medidas do Governo no que respeita ao cumprimento do memorando; e ainda o anúncio do ministro das Finanças de que a despesa primária será cortada em 9% no próximo orçamento. Ou seja, encontraram um buraco e resolveram a questão; no próximo orçamento, está previsto um corte na despesa de 3 mil milhões de euros, mas ainda não há detalhes ministério a ministério.

Dias antes, tinha sido anunciada a antecipação de uma medida de corte na despesa (o fim do reembolso dos transportes de doentes), também prevista no memorando da troika, salvo erro para Dezembro, e só vi reportagens a criticar ou comentários hostis na blogosfera, em nenhum lugar a dizer que era uma medida prevista no memorando.

 

Do conjunto destas notícias surge uma única interpretação: o governo ainda só aumentou impostos e não está a cortar na despesa, como prometeu fazer.

Acontece que esta ideia está incorrecta. Os comentadores esquecem-se de que o corte no subsídio de Natal representa uma enorme redução na despesa pública, pois abrange numerosos funcionários públicos e pensionistas, que aliás já levaram uma talhada nos rendimentos, distribuída ao longo do ano.

Para mais, os famosos cortes na despesa estão previstos no memorando, mas para o período entre Setembro e Dezembro. Estamos em Agosto. Algumas das medidas já foram antecipadas, outras não foram anunciadas por estarem ainda em preparação. Mas o ponto é o seguinte: segundo os credores, o Governo está a cumprir os calendários previstos na negociação internacional.

A frase mais referida da conferência de Imprensa dos representantes da troika foi a de que "gostariam de ver mais cortes na despesa". Tratou-se da resposta a uma pergunta insistente, daquelas em que o resultado previsível é sempre afirmativo e julgo que não permite citação entre aspas (mas só vendo o original). Da conferência de imprensa que vi através da televisão, o que claramente retive foi a aprovação dos representantes e não senti qualquer tom crítico em relação a este governo, pelo contrário. Houve outro elemento importante e que julgo não estar a ser sublinhado: os representantes da troika esforçaram-se por explicar que o controlo das contas públicas sem as reformas estruturais é bastante inútil.

 

Julgo ser óbvio o facto de estarem previstos para os próximos dias e semanas cortes brutais na despesa pública e não entendo a impaciência dos comentadores. Alguns destes cortes serão terrivelmente dolorosos para a população. O dos reembolsos nos transportes, por exemplo, que parecia simples e pequeno, impedirá muitos deficientes de fazer tratamentos importantes para a sua qualidade de vida.  "O pior está para vir" disseram os representantes da troika, numa frase muito citada (e bem).

A generalidade dos autores da blogosfera portuguesa não gosta deste governo: os autores de esquerda estão a vergastar cada decisão, má ou boa, prevista ou imprevista; os da direita detestam Passos Coelho e vão aproveitar cada deslize, real ou pressentido.

E julgo estar a ser criado um mito perigoso, segundo o qual seria melhor proceder a cortes cegos na despesa. Como a impaciência leva inevitavelmente ao erro, haveria por certo muito por onde criticar.

 

Nota: Este texto foi escrito em simultâneo com o post mais abaixo e não é uma resposta a Luis Menezes Leitão, que só li depois de publicar. Devo dizer que concordo com o meu colega de blogue quando ele refere que houve aqui um problema de comunicação. A conferência de imprensa do ministro visava anunciar cortes na despesa, afinal não houve qualquer conferência de imprensa, mas apenas uma declaração. Na entrevista à noite é que foi referido o corte de 9%. Pareceu inútil omitir o assunto de manhã.

por Luís Menezes Leitão

Em 14 de Julho passado, quando anunciou o lançamento de um imposto extraordinário, o Ministro das Finanças disse que a consolidação orçamental seria realizada em 2/3 de redução da despesa e 1/3 de aumento da receita, comprometendo-se a apresentar a breve prazo as medidas de redução da despesa. Tive na altura ocasião de criticar aqui essa medida, uma vez que me pareceu existir uma óbvia inversão de prioridades, em contrariedade a todas as promessas eleitorais do PSD, que tinham sido integralmente baseadas no corte da despesa. Alguém se lembra, por acaso, deste site?

 

Passa-se um mês e, quando deveria anunciar as prometidas medidas de redução da despesa, o Ministro limita-se a antecipar medidas de aumento da receita, deixando até a troika preocupada com a falta de medidas de redução da despesa. Tal representa em primeiro lugar um grave erro de comunicação política, pois não pode ser anunciada uma conferência de imprensa sobre redução da despesa e nada surgir sobre o tema. Mas o que é ainda mais grave é estar-se a transmitir para o exterior a imagem de que o Governo já desistiu de reduzir a despesa, optando antes por fazer a consolidação orçamental do lado da receita.

 

A política orçamental não é um mero exercício contabilístico, tendo que ser baseada em princípios de equidade. Um deles é o de que o Estado não pode gastar acima das suas possibilidades. Cada dia em que o Ministro anuncia mais aumentos de receita e não fala em redução da despesa, a mensagem que transmite é a de que o Estado vai continuar a viver acima das suas possibilidades, sacrificando os cidadãos para esse efeito. Era a última mensagem que precisávamos que fosse transmitida neste momento.

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

O timing de um default/reestruturação é um assunto complicado. Quanto mais cedo se procede, menor é o volume de dívida a sofrer reestruturação e menos dinheiro fica por pagar.

 

Por outro lado, há medida que o tempo passa e as dívidas vão sendo refinanciadas através da ajuda do FEEF/FMI/BCE e eurobonds, vai sucedendo uma alteração na composição dos credores. A dívida deixa de estar tão dispersa por milhares de aforradores privados e passa a concentrar-se num menor número de investidores institucionais.

 

Ora é muito mais fácil negociar uma reestruturação com um relativamente pequeno número de credores, muitos deles públicos, do que com milhares de anónimos privados. E não é só uma questão de número e de maior cumplicidade entre agentes públicos do que entre instituições e privados: é também importante a maior discrição: uma reestruturação realizada entre governos, instituições europeias e alguns grandes bancos é mais discreta e, logo, menos onerosa do ponto de vista político e eleitoral. É sobretudo esta a razão que tem levado Sarkozy e Merkel a adiarem o mais possível os inevitáveis defaults parciais grego e português.

 

A concentração da massa de credores tem também o efeito benéfico de minimizar o contágio decorrente do incumprimento parcial e de torná-lo mais previsível.

 

O adiamento das reestruturações produz ainda um efeito redistributivo: se realizadas agora, quem mais perde é quem mais investiu em dívida soberana; se adiadas, as perdas decorrentes do incumprimento recairão (indirectamente) por maior número de cidadãos uma vez que os perdedores directos são entidades representativas e suportadas pelo grande público (governos e instituições comunitárias).

 

Vale a pena pensar em quais são os possíveis argumentos políticos e de justiça/equidade que justificam que as perdas em consequência do default parcial sejam socializadas para proteger aqueles que livremente optaram por investir em dívida pública. Questão mais técnica é a da eficiência económica de tal forma de social insurance.

 

Na minha opinião, apesar de todos os argumentos a favor do adiamento das reestruturações, sou pela sua maior antecipação sobretudo porque os sucessivos endividamentos e bailouts (a Grécia já vai em dois) estão a levar os volumes totais de dívida europeia para níveis que já não permitirão resgate futuro nenhum a menos, talvez, que uma China decida vir em socorro já não de um ou outro pequeno país periférico mas de toda a zona euro.

 

Há medida que a bola de neve cresce e aumentam as pressões no sentido das dívidas nacionais serem "mutualizadas" pelo conjunto dos Estados membros europeus (cfr. a "novela dos eurobonds" aqui no Albergue), a situação mais ou menos estável de países como a França vai se degradando. Para que a França e a Alemanha garantam a dívida conjunta de Espanha e Itália (mesmo que seja só uma parte) é preciso que os dois primeiros países agravem a sua situação financeira o que os coloca, sobretudo no caso francês, também em risco de precisarem de ajuda. E como dizia o Münchau no outro dia, a França não é suficientemente grande para se resgatar a si mesma.

 

Enquanto não se travar o ciclo de endividamentos e bailouts, é o próprio conjunto europeu que vai ficando em risco de bancarrota generalizada. Mas a verdadeira preocupação de Sarkozy e Merkel não é a salvação nem de Portugal e da Grécia, nem do euro, nem da União Europeia: é a salvação das próprias cadeiras onde se sentam. Fossem as eleições presidenciais francesas e federais alemãs antecipadas e a política já seria outra. No próximo e último post desta série escreverei sobre o egoísmo eleitoralista de Sarkozy e Merkel.

por Rodrigo Saraiva

«Quem leu o Memorando de Entendimento (assinado por PS, PSD, CDS e BCE, UE, FMI) não se surpreende com estas medidas. Custa-me a crer como muitos “especialistas do comentário” e “jornalistas” dão estas notícias com espanto estampado no rosto. Eles que deveriam ser os mais informados.

Da mesma maneira também não entendo como o Português “médio” (que é quem vai pagar a crise) acha isto inesperado. Ele à partida é formado e informado. Ele opina sobre todos os temas com uma convicção e autoridade enormes. Mas afinal será que não leu o MoU? Será que só leu as parangonas dos jornais?

O MoU tem escrito no capítulo “1. Política Orçamental” > “Receitas” > ponto 1.23:
Aumentar as receitas do IVA para conseguir pelo menos 410 M€ para um ano inteiro, por meio de:

ii. Mover categorias de bens e serviços dos escalões reduzido e intermédio para os escalões mais altos do IVA;

Da mesma forma está bem explícito no ponto 1.24 do mesmo capítulo:
Aumentar os impostos sobre o consumo em 250 M€ em 2012. Em particular através de:

iv. Introduzir impostos sobre o consumo de electricidade de acordo com a directiva da EU 2003/96
(esta directiva versa sobre a reestruturação do quadro comunitário de tributação dos produtos energéticos e da electricidade).

Também no capítulo “5. Mercados de bens e serviços” > “Mercados de Energia” > “Instrumentos de política energética e taxação” > ponto 5.15 diz:
Aumentar a taxa de IVA da electricidade e do gás (actualmente em 6%), bem como os impostos sobre o consumo de electricidade (actualmente abaixo dos mínimos exigidos pela legislação da UE). (4T 2011)

Está lá tudo bem escrito e bem explícito. Mas só para quem se interessa, para quem realmente quer estar informado sobre o estado do país, que tem como consequência o seu próprio futuro. Já o “Tuga” ignorante, que apenas gosta de mandar uns bitaites…

Cumprir ou mesmo antecipar estas medidas é meio caminho andado para não acontecer em Portugal o que está a suceder na Grécia. É assim que vamos provar que Portugal não é igual à Grécia. Não é com palavras da boca para fora como fazia outro PM.»

 

Luís Melo, aqui.

 

Como já escrevi várias vezes neste blogue, a reestruturação das dívidas públicas grega e portuguesa é uma inevitabilidade (um primeiro haircut já ocorreu na Grécia e não será o único). Não se trata de uma mera opção económica ou política: é a pressão dos factos que leva a esse resultado.

 

O facto principal não tem nada de esotérico ou complexo: a quantidade total de dinheiro em dívida já é demasiado grande para que alguém possa acreditar que toda a dívida venha a ser honrada. Logo, os novos credores só emprestam a juros que de tão altos só agravam ainda mais a dimensão do problema. O resultado é uma bola de neve de mais endividamento e sucessivos bailouts que é em si mesmo um fenómeno especulativo dos piores, em que todos sabem que o desastre se aproxima mas todos acreditam que escaparão antes do barco afundar. Só há uma maneira de travar esta bola de neve: o default parcial.

 

Sendo o default inevitável, o que fica a caber na esfera de decisão política são duas questões importantes: o timing e o modo do default/reestruturação. [A propósito: default parcial e reestruturação são essencialmente a mesma coisa, a diferença é que reestruturação é uma palavra mais soft. O politiquês é a arte de tornar eleitoralmente mais tragável uma mesma e horrível realidade através da utilização de eufemismos.]

 

O melhor modo de reestruturar é a negociação respeitando minimamente a liberdade dos credores. Reestruturações unilaterais têm consequências políticas e económicas extremamente nocivas e de duração incerta. Uma maneira negociada e que atende à vontade dos credores é a emissão de eurobonds. Como em muitos outros aspectos da construção europeia, existe já um excesso de optimismo em relação aos eurobonds. Parece-me, apesar de tudo, que os eurobonds são um paliativo pelo menos tão bom como outro qualquer, o que já não é nada mau.

 

Já a questão do timing apresenta maiores dificuldades. Sobre esse tópico, sigam-me até ao próximo post...

Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011
por Ricardo Vicente

 

Há muitos, muitos anos atrás, o programa de televisão mais visto em Portugal era a telenovela brasileira da Rede Globo que passava por volta das oito e meia da noite. Actualmente, já são poucos os que vêem as telenovelas brasileiras pois as portuguesas tornaram-se as grandes dominantes dos shares e das audiências.

Nesses tempos longínquos, os pais queixavam-se de que os filhos utilizavam cada vez mais expressões e vocábulos brasileiros. Perpassava pelos mais adultos um receio mal definido de que o português se abrasileirava.

Havia uma telenovela em que dois amigos, um dos quais transava com a mãe do outro, se tratavam por "bicho". - Oh bicho! Você está a fim de tomar um chopp com a galera? - Não posso bicho, sua mãe me convidou para um drink.

Havia uma telenovela em que uma personagem de nome Eloá, que vivia aterrorizada pela presença do demónio, chamava "filhotes" aos seus filhos. Nessa altura, em que as famílias portuguesas iam passando de remediadas a classe média à medida que viam os concursos do Carlos Cruz, abriam contas no BCP e compravam casas de férias horrorosas no ainda belo Algarve - nessa altura era chic entre as mães referirem-se aos seus filhos como "filhotes".

Com o predomínio das telenovelas portuguesas, foram-se os filhotes e as transas, foram-se os caras e os drinks. Acho até que já ninguém curte.

As importações linguísticas brasileiras secaram; Portugal ficou menos cosmopolita. É pena.

Como estranha e lamentável compensação, um acordo ortográfico que nem acordo nem vontade nossos recebeu e que de forma tão torpe descaracteriza a escrita do português de Portugal impõe-se-nos agora como facto consumado. Não é nada legal.

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

... mas por boas razões.

 

Durante estes dias ao ver o que se passa em Inglaterra, com enfoque em Londres, é inevitável não pensar no que se pretende daquela Cidade daqui a um ano. Por isso é, também, importante que os ingleses consigam que as suas vidas voltem o mais rápido possível à normalidade.

 

especial atenção a partir do 1:06

… e os abrantes ainda não lhe dedicaram um post.

 

 

por Luís Naves

Esta interpretação burguesa de Hugo Mendes é curiosa. Portanto, se os clubes de jovens recebessem subsídios, desapareciam os conflitos. É a visão paternalista da sociedade, que aposta numa espécie de esmola para os pobres de espírito se manterem calmos. Toma lá e fica quietinho no teu canto. O quê? Tiraram o subsídio ao meu clube de jovens e não tenho nada para fazer? Então, vou ali partir umas montras.

Tiago Mota Saraiva tem um instinto mais religioso. Emite luz, está em cima de uma azinheira, então só pode ser nossa senhora. No caso, tem violência e o poder é capitalista, então só pode ser a revolução. Sim, escondido pelo capuz, em cada salteador há um Che Guevara em potência.

A interpretação adiantada por Eduardo Pitta também não bate certo, mas é mais interessante do que a anterior. Há muitos negros nos bandos de jovens? Sim, mas também aparecem brancos nas imagens. E numerosas lojas saqueadas são de paquistaneses. Vi na televisão um proprietário que escapou por um triz de morrer no saque da sua loja, ameaçado pelos vândalos. O homem era negro, teve de fugir por uma janela. E os apartamentos incendiados pertencem a negros, brancos, pouco importa. Os jovens atacantes só parecem preocupados em saquear e provocar o máximo de anarquia. O padrão racial parece ausente.

Há uns anos, houve motins semelhantes a estes nos subúrbios das grandes cidades francesas. Na altura, circularam as interpretações étnicas e multiculturais, mas durante semanas os bairros ficaram por conta de gangs bem organizados, onde era bem mais relevante o aspecto de fragmentação social que parece imparável nas sociedades desenvolvidas. Lembro-me que Nicolas Sarkozy foi o bombo da festa, pelo menos entre os comentadores portugueses, que agora estão mais benevolentes em relação às autoridades britânicas (os motins estão a ser tratados com pinças).

 

O facto é que muitos jovens não têm perspectivas de futuro, e isto também é comum em subúrbios de Lisboa, onde não é fácil viver. Os empregos são para quem termina estudos e o subtil terceiro-mundismo que alastra nos bairros pobres das grandes cidades europeias não permite a estas pessoas saírem da lógica do mergulho em crescente pobreza. O afogamento é inevitável, devido às famílias estilhaçadas e à violência urbana. A degradação alimenta e acelera o declínio e, quando se ultrapassam os limites, então o Estado investe na renovação urbana, cria infra-estruturas e empregos, tentando impedir nova irrupção de violência. Com a austeridade, o problema recomeça noutro sítio.

A crise do modelo social-democrata de sociedade está a agravar o fosso entre classes privilegiadas e lumpen, a ponto dos privilegiados já nem perceberem bem o que se passa naquelas cidades separadas do resto.

Refira-se que a situação na América é bem pior do que a europeia; os surtos de violência extrema podem ser raros, mas as comunidades dos bairros pobres vivem em estado de sítio. Um negro do Harlem (mas pode ser branco ou hispânico de outro bairro miserável) tem escassas hipóteses de singrar na vida. Com a execução de hipotecas em larga escala, a degradação urbana só pode estar a agravar-se.

O fenómeno tem um fractal na ordem entre nações: há países desenvolvidos e em desenvolvimento, depois um grupo de estados falhados, equivalente a 10% do total. Os bairros violentos das cidades industriais avançadas ainda não são Somálias, mas para lá caminham.

A pobreza, evidentemente, não é nova, mas o mundo contemporâneo perdeu valores que no passado permitiram um mínimo de coesão social (patriotismo, religião). A erosão destes valores e o niilismo triunfante alteraram o cenário. 

Isto leva a outra conversa, a ideias sobre a crise civilizacional e o fracasso de vários modelos de capitalismo, mas fica para posts futuros.

Não é de surpreender que a turma Abrantes venha tentar galhofar com quem defende uma intervenção mais forte das forças de segurança em Inglaterra, perante tal cenário. Aqueles cuja memória não vai fraquejando não se esquecem da irresponsável frase proferida por Alberto Costa quando era Ministro da Administração Interna após uma actuação da PSP resultante de uma decisão de um tribunal. "Esta não é a minha polícia", afirmou o então ministro socialista, passando para a opinião pública que as forças de segurança actuavam ilegitimamente. E não pode mesmo surpreender, tendo em conta que o próprio Alberto Costa se orgulha de tal acto de desautorização que até o escolhe para título de livro.

 

E totalmente inacreditável é isto. Como é que alguém pode desejar cenário semelhante do que se passa em Inglaterra em Portugal?

 


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